Autores
Camboin, Franciele Foschiera
Ano
2018
Locais das vias de estudo
Brasil
Tipo de publicação
Doutorado
Órgão da produção
USP (Universidade de São Paulo) – Ribeirão Preto
Palavras-chave
Acidentes de trânsito; Criança; Enfermagem; Pais; Prevenção de acidentes; Saúde
Tipo de via
Urbana/Rodovias
Escopo das vias do estudo (tipo de via, km, limite de velocidade)
Cascavel (PR)
Resumo/Abstract
Considerando as altas taxas de óbitos e incapacidades causadas pelos acidentes de trânsito envolvendo crianças, um paradoxo se estabelece na medida em que as ações de prevenção e proteção à criança ainda são realizadas de forma elementar nos diversos locais em que estão inseridas, quais sejam: a casa, as escolas, as unidades de saúde, os locais de lazer, as vias urbanas, entre outros. Assim, o objetivo desta pesquisa foi analisar a ótica das mães, educadores e enfermeiros acerca dos acidentes de trânsito envolvendo crianças na faixa etária de cinco a nove anos na perspectiva da vulnerabilidade e do cuidado para a prevenção deste agravo. Estudo de abordagem qualitativa, realizado com 31 participantes na cidade de Cascavel no Paraná/PR, incluindo 10 enfermeiros, 10 pais e 11 professores. O estudo seguiu as exigências da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, sendo aprovado sob o Parecer 1.761.748. Os dados foram coletados no segundo semestre de 2017, por meio de entrevistas semi-estruturadas, organizados utilizando-se o Programa R no pacote RQDA e analisados segundo modalidade temática indutiva. Os resultados foram retratados em um mapa temático, por meio de 131 códigos, que geraram três temas identificando as vulnerabilidades individuais: “decorrido e evidenciam que as intervenções preventivas ainda são insipientes. Para os pais ou responsáveis, o acidente de trânsito significa ausência de comportamentos seguros. A dificuldade em expressar o que era o acidente de trânsito foi preponderante nas falas, assim como o motivo que desencadeou o acidente, ou seja, os conceitos de imperícia, imprudência e negligência e os sentimentos evidenciados foram o medo, a tristeza, trauma, desespero e revolta, destacando a dificuldade em se perceberem como agentes passíveis de sofrer acidentes de trânsito e apontando à conscientização como a forma de evitá-los. A infraestrutura das vias, a falta de iluminação pública, a ausência de faixa de pedestres seguras, uso/abuso de álcool, o excesso de velocidade e a falta de sinalização são aspectos que interferem na vulnerabilidade e proteção de acordo com as falas. Na contribuição dos professores, para o enfrentamento e a prevenção dos acidentes, evidenciam-se ações desenvolvidas em sala de aula que contemplam atividades que já estão propostas no currículo escolar e em projetos conjuntos com outros serviços. Acidente de Trânsito para quem vê e para quem vive”; as vulnerabilidades sociais: “Acidente já é mais complicado, porque por mais que você cuide de você, tem o outro e a questão do trânsito são vários lados”; e a vulnerabilidade programática: “A gente tem muita doença, então a gente deixa de trabalhar com a prevenção para trabalhar com a cura”. Os depoimentos ilustram a compreensão de cuidado somente após o evento ter. O enfermeiro da Unidade Saúde da Família ou Unidade Básica de Saúde tem contribuído para atenção e prevenção dos acidentes de trânsito na infância, mesmo que em ações ainda muito pontuais. Porém, priorizam o cuidado sob a lógica curativa, indicando as limitações na busca por respostas efetivas às necessidades de saúde dos indivíduos e das populações. As ações intersetoriais são compreendidas como uma possibilidade para a realização de práticas interventivas. As ações intersetoriais foram apontadas como um caminho para o cuidado, sendo a escola especialmente recomendada. O cuidado na prevenção dos acidentes busca empreender a igualdade e equidade da população.
Resultados/Conclusões
Ao analisar a ótica de mães, educadores e enfermeiros, acerca dos ATs que envolvem crianças, os relatos mostram a dificuldade que os participantes possuem em se perceber como vulneráveis, reforçando a visão de que apenas transmitir uma informação ou disponibiliza-la não é suficiente para a real tomada de consciência e, ainda, a mudança de comportamento das pessoas. É preciso que tenhamos uma postura em que nos vejamos como sujeitos vulneráveis ao AT, mas com uma postura voltada para o comportamento seguro, de prevenção e proteção, em especial às crianças. Salientamos que há situações de vulnerabilidade individual, social e programática que podem fortalecer ou dificultar esse processo.
Comentários sobre o conteúdo (variáveis analisadas na avaliação de impacto, amostra/tipo de via, aspectos metodológicos e/ou conclusões
Cita o excesso de velocidade como fator preponderante para a morte de crianças em colisões de trânsito.


