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Velocidade praticada em curvas horizontais em meio urbano : uma análise baseada em dados naturalísticos

Autores

Szeliga, Rafael Alessandro

Ano

2022

Locais das vias de estudo

Brasil

Tipo de publicação

Mestrado

Órgão da produção

UFPR (Universidade Federal do Paraná)

Palavras-chave

Segurança Viária; Velocidade instantânea; Manobras de conversão; Interseção urbana; Estudos Naturalísticos de Direção

Tipo de via

Urbana

Escopo das vias do estudo (tipo de via, km, limite de velocidade)

Curitiba e região metropolitana (PR)

Resumo/Abstract

O desafio de conciliar os interesses de mobilidade urbana e segurança viária se faz cada vez mais presente, evidenciando a necessidade de proporcionar uma interação equilibrada e não conflituosa entre os diversos tipos de usuários da infraestrutura viária. A velocidade praticada por condutores de veículos se apresenta como um fator de risco tanto para a ocorrência quanto para a severidade dos sinistros de trânsito. O objetivo do presente estudo foi investigar a influência de fatores viários e ambientais na escolha da velocidade por parte de condutores de veículos de passeio em manobras de conversão em vias urbanas. Os Estudos Naturalísticos de Direção, tradução do termo inglês Naturalistic Driving Study (NDS), baseiam-se no monitoramento da tarefa real de condução considerando os ambientes interno e externo ao veículo em situações reais de trânsito, com ênfase no comportamento do condutor. Desde 2019 vem sendo executado o primeiro estudo naturalístico realizado no Brasil (NDS-BR), na cidade de Curitiba (PR), com o monitoramento até então de 32 condutores e uma distância percorrida de aproximadamente 9,4 mil km. Os veículos dos condutores foram instrumentalizados com câmeras internas e dispositivos GPS que registraram suas velocidades instantâneas ao longo dos trajetos. As vias consideradas para o presente trabalho foram interseções em nível do sistema viário municipal, tendo sido contabilizadas 1.201 manobras de conversão. Nas análises foi considerada a variação de velocidade (delta V), sendo essa a diferença entre a velocidade média em curva (Vc) e a velocidade média de entrada (Ve) na tangente anterior à curva. Para caracterizar a velocidade de entrada, foi considerada uma área de influência distante 50 metros do ponto de início da curva. As velocidades foram analisadas através de testes de hipóteses estatísticas entre as populações considerando o ângulo de deflexão, a direção da conversão, o raio na esquina, o controle de preferencial, a presença de deflexões verticais na pista, a declividade da via, a ocorrência de chuva, o período do dia e, por fim, a velocidade de entrada dos veículos. Os resultados indicaram valores mais altos de velocidade nas curvas para ângulos de deflexão mais baixos, como os de 30 e 60º. No recorte considerando apenas conversões de 90º, as velocidades mais altas foram encontradas em conversões à esquerda, em cruzamentos com maiores raios de esquina, com controle semafórico, sem chuva, durante a noite. Também foram identificados valores mais altos de velocidade na curva conforme aumentam as velocidades de entrada. Quando considerada a variação da velocidade, os valores mais elevados ocorreram para maiores ângulos de deflexão. Quando considerado o recorte de curvas de 90º, as situações que apresentaram maior variação foram as curvas à direita, em movimentos provenientes de vias secundárias, na presença de deflexões verticais na pista, em terreno plano e aclive e com maiores valores de velocidades de entrada. Os dados subsidiaram a sugestão de políticas de gestão de velocidade em meio urbano.

Resultados/Conclusões

Os desenhos de ruas precisam acomodar de forma segura pessoas que se deslocam a pé, em bicicleta ou fazem uso de transporte coletivo, para além dos veículos de passeio. Para isso, as ruas e cruzamentos devem proporcionar uma circulação adequada com interações seguras entre esses usuários. A partir de base de dados naturalísticos foi possível o estudo das velocidades praticadas por condutores em manobras de conversão, pois as informações de localização de cada veículo (velocidade instantânea) em conjunto com as imagens do campo de visão do condutor (câmeras no interior do veículo) permitiram abordagens que não seriam possíveis caso apenas uma dessas informações estivesse à disposição. Cabe ressaltar as velocidades sob as quais os condutores realizaram os movimentos de conversão. Foram registrados valores próximos a 50 km/h nas curvas, o que indica uma condição de risco em um potencial de risco elevado para pedestres, como de perda de controle do veículo.

Comentários sobre o conteúdo (variáveis analisadas na avaliação de impacto, amostra/tipo de via, aspectos metodológicos e/ou conclusões

Cita a velocidade praticada por condutores de veículos como um fator de risco tanto para a ocorrência quanto para a severidade dos sinistros de trânsito.