A segurança viária foi o tema da edição de maio da Sexta da Mobilidade, iniciativa promovida pelo Insper Cidades, iniciativa mensal promovida pelo Insper Cidades, que reúne especialistas na última sexta-feira de cada mês para discutir os principais desafios da mobilidade urbana no Brasil. Nesta edição, realizada dentro da série de debates sobre mobilidade nas eleições de 2026, representantes do poder público e da sociedade civil discutiram como a redução de mortes e lesões no trânsito deve integrar a agenda política nacional.
O painel contou com a participação de Frederico Pierotti Arantes, presidente do CETRAN-SP e coordenador do SISTRAN-SP; Taciana Ferreira, presidente da Autarquia de Trânsito e Transporte do Recife; e Ricardo Neres Machado, coordenador do PL das Velocidades Seguras (PL 2789/2023) pela Ciclocidade. A mediação foi realizada por Sergio Avelleda e Suzana Leite Nogueira, do Insper Cidades.
A programação reuniu diferentes experiências na construção de políticas públicas de segurança viária. Frederico Pierotti apresentou iniciativas desenvolvidas pelo Governo do Estado de São Paulo, destacando o uso de dados produzidos pelo Infosiga para orientar políticas públicas e a construção do Plano Estadual de Segurança Viária (PSV-SP). Já Taciana Ferreira compartilhou a experiência do município do Recife, apresentando boas práticas adotadas na gestão local e os desafios para implementar políticas voltadas à mobilidade e à segurança viária.
Da produção de evidências à incidência política
Representando a articulação nacional pelo PL das Velocidades Seguras, Ricardo Machado apresentou a trajetória da Ciclocidade na produção de dados, pesquisas e incidência política em defesa da gestão de velocidades, mostrando como uma atuação iniciada em São Paulo evoluiu para uma agenda nacional de aperfeiçoamento do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A apresentação resgatou a atuação da Ciclocidade na formulação e qualificação de políticas públicas de mobilidade urbana, destacando estudos sobre infraestrutura cicloviária, monitoramento de viagens em bicicleta e pesquisas sobre segurança viária que contribuíram para consolidar uma agenda baseada em evidências. Também foi apresentada a construção do PL das Velocidades Seguras (PL 2789/2023), desenvolvido coletivamente por organizações da sociedade civil e alinhado aos princípios do Sistema Seguro, às diretrizes do PNATRANS e às recomendações internacionais para redução de mortes e lesões graves no trânsito.
Entre os principais pontos apresentados estiveram as duas medidas centrais defendidas pelo projeto: a readequação dos limites urbanos de velocidade e a regulamentação da fiscalização por velocidade média. Também foram discutidos o contexto atual da tramitação do projeto no Congresso Nacional e a atuação da coalizão formada por Ciclocidade, Fundação Thiago de Moraes Gonzaga e União de Ciclistas do Brasil (UCB) na incidência junto à Comissão Especial que analisa as mudanças no Código de Trânsito Brasileiro.
Segurança viária como compromisso para 2026
Ao longo do debate, ficou evidente que o Brasil já dispõe de conhecimento técnico, experiências bem-sucedidas e evidências suficientes para reduzir significativamente as mortes e lesões no trânsito. O desafio atual não está na falta de soluções, mas na capacidade de transformá-las em prioridade política.
Ao reunir representantes dos governos estadual e municipal e da sociedade civil, a edição de maio da Sexta da Mobilidade reforçou que a segurança viária precisa ocupar um espaço central no debate eleitoral de 2026. Mais do que discutir mobilidade, trata-se de definir quais compromissos os futuros governos assumirão para proteger vidas e construir cidades mais seguras para todas as pessoas.


